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Mudança de Hábitos


Por Israel Belo
(1Coríntios 9.24-27)

"A vida cristã é um assunto tremendamente sério e os prêmios são infinitamente altos. O que você faz com a sua vida -- a forma como corre sua corrida ou luta sua luta -- fará a diferença entre participar das promessas do Evangelho e ser desqualificado. Fará a diferença entre alcançar ou não alcançar o prêmio da suprema chamada de Deus em Cristo. Fará a diferença entre receber ou não receber a coroa imperecível da justiça . A vida é uma coisa séria. A corrida da vida tem conseqüências eternas não porque somos salvos pelas obras, mas porque Cristo nos salvou das obras da morte para servir o Deus vivo e verdadeiro com uma paixão olímpica". (John Pipeer) PIPER, John. Olympic Spirituality, Part 1. Disponível em .

Quero falar de hábitos, particularmente daqueles que precisamos mudar.
Eu me sirvo de um texto de apóstolo Paulo em que, autobiograficamente, relembra o tempo em que esteve com os coríntios.
Deixemos Paulo nos falar: "Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado" (1Coríntios 9.24-27).



1. Os hábitos nos habitam
Antes de comentar o texto, pretendo considerar um pouco os nossos hábitos.

1.1. Todos temos hábitos
Um dia destes conheci um motorista profissional, que tem um hábito interessante. Depois do almoço, ele dorme um pouco, nem que seja sentado no próprio carro. Ele me disse que aprendeu isto com o seu pai.
Sei pai trabalhava num hospital do Corpo de Bombeiros como auxiliar do dentista. Levava o menino. Após o almoço, os dois ajeitavam as cadeiras e dormiam por alguns minutos. Desde então o agora motorista faz o mesmo. Desenvolveu um hábito, no caso o de dormir após o almoço.
Embora o hábito esteja em declínio, ainda há cidades brasileiras em que seus habitantes fazem a "siesta" regularmente. Há muitos ano ouvi do ministro Afonso Arinos de Melo Franco (1905-1990), então com 84 anos idade, que o segredo da longevidade era comer doce em calda como sobremesa e dormir após o almoço.
Todos nós temos hábitos, que vamos desenvolvendo ao longo da vida. Uns são bons. Outros são ruins. E outros não são bons nem ruins. O ruim da história é que os hábitos bons podem se tornar ruins. E deles precisamos nos livrar, se queremos viver saudavelmente.
Não adianta achar que não temos hábitos, porque os temos. Não adianta achar que esses hábitos, especialmente os ruins, são irreformáveis, como se não pudéssemos mais deles nos livrar. Pense no pior dos seus hábitos: ele pode ser corrigido.
Caminhando esta semana pelas ruas do bairro, deparei-me como uma senhora andando encurvada para frente. Lembrei-me que eu tinha o mesmo problema. Então, fui ao médico, porque eu tinha muitas dores nos pés e nas costas. Um de meus problemas é que eu andava muito encurvado. O médico me disse que eu tinha que andar de cabeça erguida. Achei aquilo impossível, mas, graças a Deus, consegui mudar meus hábitos. Comecei desejando mudar. Mudei. Demorou, mas mudei. Não ando mais de cabeça baixa.

1.2. Alguns de nossos hábitos podem se tornar tornam vícios.
Vícios são hábitos arraigados e nocivos à saúde. Nestes casos, não é fácil nos livramos deles. Alguns exigirão muita oração, muita dedicação e muita ajuda fraternal e profissional. Os que, por exemplo, estão dominados pela dependência química, seja o álcool, o cigarro e o tóxico, devem procurar logo ajuda, em lugar de ficarem tentando sozinhos abandonar seus vícios. Pessoas e instituições podem ser instrumentos da graça libertadora de Deus.
Quem tem um vício, seja qual for, não deve achar que foi esquecido por Deus. Recorde-se que a graça dEle ainda o mantém vivo. Agradeça-o porque a graça dEle ainda fala à sua consciência que a mudança é possível. Celebre a graça de dEle que ainda propicia recursos para a cura.
Quem não tem um vício não deve pensar que é especial, que é melhor dos que os outros. As razões por que uma pessoa se vicia muitas vezes estão fora do seu alcance de entender. Os viciados não devem ser maltrados. Não devem ser jogados para fora da igreja. Não devem ser lançados para longe da família. Devem ser amados, com amor exigente. Devem ser ajudados, com apoio digno e inteligente.
Quem não tem um vício precisa agradecer a Deus e deve pedir a Ele que o fato de não ter vícios não o transforme num legalista ou num indiferente ao sofrimento dos outros. Quem não tem vícios deve se envolver num ministério de recuperação.

1.3. Nossos hábitos nos empurram para a vida ou para a morte.
Quero, no entanto, me concentrar nos hábitos.

1.3.1. Alguns são desenvolvidos em pessoas que não têm ambições na vida. Nestas pessoas os hábitos podem ter a ver com a preguiça, com a falta de empenho. Vão levando a vida. Esses hábitos terríveis são destruidores e quem é assim deve olhar para a formiga, diz a sabedoria bíblica ("Observe a formiga, preguiçoso,reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe sobrevirá como um homem armado" (Provérbios 6.6-11).
Se alguns hábitos nascem em pessoas precisamente porque não têm ambições na vida, outros surgem, ao contrário, em pessoas que têm ambições, algumas com muitas ambições, o que as leva a hábitos que geram ações destrutivas. Trabalhar, por exemplo, é um hábito saudável; trabalhar compulsivamente é um hábito que destrói indivíduos, famílias e comunidades. Economizar, para ter o que se precisa, é uma prática saudável; economizar por prazer ou por medo do futuro, não é uma prática saudável. Mentir, seja ao fisco, ao chefe, ao amigo, ao cônjuge, para reter o que não lhe pertence, é um hábito sedutor, pelos resultados a curto prazo, além de muito perigoso, pelos resultados a curto, médio e longo prazos.
Assim há hábitos que vêm da falta de ambição e há hábitos que vem do excesso de ambições.

1.3.2. Há um outro tipo de hábito que navega também numa tensão. Eu me refiro ao hábito de falar da vida alheia. Trata-se de um hábito que dá prazer; por isto, está presente na família, no condomínio, na igreja, no trabalho. O hábito de falar da vida alheia decorre de um desejo muito útil: a curiosidade, natural em todo ser humano. Essa curiosidade acabou por se tornar um negócio, o negócio de bisbilhotar a vida alheia; há profissionais da imagem e da reportagem dedicados a mostrar e descrever momentos nas vidas de pessoas consideradas famosas. Há leitores, ouvintes e telespectadores para este tipo de programa. Cuidado: ler, ouvir e ver programas deste tipo revela um pouco do caráter de quem lê, ouve e vê, mesmo sob a justificativa de isto não passar de um... passatempo.
Tão ruim é o hábito de falar da vida alheia. Este é um hábito destrutivo e muito antigo. Os Dez Mandamentos abmominaram a calúnia, porque Deus sabe que "a língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto" (Provérbios 18.21). Por isto, o salmista lembra que pode entrar na presença de Deus "aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar, que nenhum mal faz ao seu semelhante e não lança calúnia contra o seu próximo" (Salmo 15.2-3). Tiago compara a maledicência a um fogo na floresta seca (Tiago 3.5-8). Muitos séculos depois, o hábito preocupou a John Wesley, que elaborou, em 1752!) um conjunto de regras sobre como ele mesmo, os líderes e os membros da igreja em geral deveriam lidar com a maledicência. Outro contemporâneo seu (Charles Simeon) fez o mesmo. Juntei os dois, para formar um decálogo:

1. Não darei ouvido nem inquirirei voluntariamente sobre qualquer maledicência concernente a um de nós.
2. Se escutar algo maléfico com respeito a algum de nós, não acreditarei de imediato.
3. Coumunicarei o que o ouvi o mais breve possível, falando ou escrevendo, à pessoa em referência.
4. Não escreverei nem direi uma sílaba sequer daquilo que me foi dito a qualquer pessoa, seja for, antes do pleno esclarecimento do assunto. Depois disso, não mencionarei o que for comentado a qualquer pessoa.
5. Ouvirei a menor quantidade possível de coisas prejudiciais aos outros.
6. Não acreditarei em nenhuma delas, até que seja absolutamente forçado.
7. Nunca absorverei o espírito daquele que fala mal de outros e circula essas notícias.
8. Sempre moderarei, no que for possível, a crueldade expressa contra outros.
9. Sempre acreditarei que, se o outro fosse ouvido, o assunto seria relatado de maneira bastante diferente.
10. Não abrirei nenhuma exceção a qualquer uma destas regras.

Quem desenvolver estes hábitos terá uma língua como "prata escolhida" (Provérbios 10.20). Quem os vivenciar, refreando a sua língua, terá uma religião de valor! (Tiago 1.26)

1.3.3. Há um hábito que forma um par negativo com este: é o desinteresse pela vida alheia. Há pessoas tão concentradas em si mesma, que não se importam com as vidas dos outros. Jamais falam dos outros, nem bem, nem mal, simplesmente porque as outras pessoas não lhes importam. O sofrimento delas não lhes importa. A dor delas não lhes importa. A fome delas não lhes importa. O drama delas não lhes importa. A salvação delas não lhes importa. As vidas dos outros lhes são estranhas.
Como pode alguém assim ser cristão, se segundo as próprias palavras do Mestre, "não existe mandamento maior do que estes” (Marcos 12.31): “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento, e ame o seu próximo como a si mesmo” (Lucas 10.27)?
Os cristãos temos sofrido de um hábito terrível, que nega as bases da fé. Temos nos fechado. Nosso Evangelho é para nós mesmos. Em muitas situações, há diferença entre um clube e uma igreja cristã é meramente estética.
Um clube pode ser solidário, mas a igreja tem que ser solidária.
Um clube não é missionário, mas a igreja tem que ir por todo o mundo, começando por seu bairro, ou não é uma igreja.
Um clube promove shows, em que as pessoas aplaudem quando gostam e se retiram quando não gostam, mas uma igreja se reúne para adorar a Deus. E esta adoração -- para não ser também clubística -- deve ser uma turbina que dá força para o cristão se lançar ao mundo cheio do amor de Deus para dar.
Um clube tem política, com situação e oposição, com disputa pelo poder, mas uma igreja, para ser mesmo igreja, tem que ter apenas uma missão, desenvolvida por todos, líderes e liderados, que são todos iguais, e só têm um lado: a cruz de Jesus Cristo.
Um clube é humano e pode fechar; uma igreja é divina e contra ela as porta do inferno não podem prevalecer.
Um clube visa o bem estar dos seus associados; uma igreja quer abençoar os não fazem parte dela, mesmo que nunca venham fazer. (É por isto, por exemplo, que mantemos nosso programa de rádio: para abençoar seus ouvintes, a maioria de não-membros da igreja; há conversões, que não convergem para cá, em função de onde moram.)
Como igreja precisamos de ações mais concretas para fora e de menos programas para nós mesmos. E os programas para nós mesmos é para nos capacitar para atuar onde Deus quer chegar.
Para tanto, precisamos de mais ministros, voluntários em determinadas áreas, apaixonados por Jesus.

1.3.4. Quero mencionar um outro tipo de hábitos: a agitação e a passividade. No pólo da agitação, lembro-me que tenho um amigo que pôs após o seu nome na sua conta de MSN a seguinte informação-padrão: "estou muito ocupado". É como se dissesse: "estou sempre MUITO ocupado". Há pessoas que estão sempre correndo. Elas correm porque têm muito o que fazer. Elas correndo quando não têm o que fazer. Correr é um hábito.
Quando cruzo com estas pessoas agitadas, ou quando me vejo sucumbindo a este estilo, eu me lembro que, segundo a Bíblia, nem sempre os velozes vencem (Eclesiastes 9.11).
Também não vencem os que ficam parados, passivos, esperando a vida lhes conceder o que acham que merecem. Entre os cristãos, muitos se perdem na tensão "ação versus oração". De fato, somos chamados a esperar no Senhor, mas também chamados a agir enquanto esperamos. Se muitos estão ocupados demais para ler a Bíblia e orar, outros pensam que, se fizeram isto, tudo lhes virá.
Quando lemos os primeiros versos do Salmo 23, ficamos com a impressão que nada nos faltará tendo o Senhor como nosso Pastor. Esta é uma verdade que precisa ser compreendida. E nós a compreendemos quando, lendo o mesmo salmo, acompanhamos o poeta em sua trajetória, em que até inimigos tem que enfrentar.
Numa vida cristã saudável oração e ação estão em equilíbrio; ação e meditação estão de braços dados. Quem quer ouvir Deus precisa se calar. Quem quer espalhar Deus precisa falar. Só há sentido em uma pessoa se ajoelhar diante do Senhor, se, após a oração, ela se se põe de pés para obedecer ao Senhor. Quanto mais oração, mais ação -- esta é a síntese das vidas dos santos verdadeiramente santos.

1.3.5. Chego, então, ao cerne do pensamento do apóstolo Paulo no texto em questão.
Menciono, então, outro par de hábitos, construídos ora por aqueles que não têm disciplina alguma em suas atividades, ora por aqueles que são escravos da disciplinas. Começo pelo que é mais raro: o excesso de disciplina.
Conheci um homem extraordinariamente exagerado em matéria de organização da sua vida diária. Sua rotina, rigidamente fixada, incluía a hora de se levantar, tomar banho, tomar café, ler jornais, ler e responder a correspondência, e assim por diante, com todos os minutos do dia programados previamente.
Se isto parece uma escravidão, e me parece, é triste ver a ausência do espírito da disciplina em muitas pessoas.
Conheço pessoas que não têm horário para nada, nem para comer. São incapazes de chegar pontualmente a um compromisso. Desistem de suas atividades, na primeira curva da dificuldade. Aliás, a palavra "dificuldade" lhes deixa em pânico. Não traçam objetivos para as suas vidas. Perdem oportunidades, se, para alcançá-las, precisarem demandar algum esforço, por menor que seja. Mesmo que suas vidas estejam abaixo da linha do conforto, já se acomodaram. Até querem uma vida diferente, desde que tenham que descruzar os braços e arregaçar as mangas. Nossa cultura precisa de um choque de disciplina, que inclui responsabilidade nos horários e nos compromissos assumidos. Nosso povo precisa respeitar o povo. Nossas autoridades precisam respeitar o povo. Os chefiados, de onde quer que sejam, precisam respeitar seus chefes. Os chefes precisam respeitar seus liderados. Sem esta reciprocidade e sem esta credibilidade, o país não irá bem; nenhuma organização irá bem.
O que o apóstolo Paulo, entre coisas coisas, nos ensina em 1Coríntios 9.24-27, é que sem disciplina não alcançamos as metas que desejamos.
E isto se aplica à vida em geral e à vida cristã em particular.



2. Precisamos de hábitos saudáveis.
Precisamos aprender a desenvolver hábitos saudáveis, não importam se tivemos oportunidades de os aprendeer na infância ou não.

Nossos hábitos precisam incluir o genuíno interesse pelas necessidades dos outros, não o interesse da curiosidade ou do julgamento ou da maledicência, a partir do silêncio sobre a vida alheia se o comentário não deriva do amor. Quem não refreia sua língua pode refreá-la, mudando seu hábito. Não podemos esquecer o ensino de Jesus Cristo: "As coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem ‘impuro’. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias" (Mateus 15.18-19). Não adianta amordaçar a boca; é preciso fazer o coração pensar puramente. Se você não quer falar mal de alguém, só tem um jeito: para de pensar mal dele.

É um hábito saudável permanecer responsável diante dos compromissos assumidos. Se você disser "eu virei", venha. Se você disser "conte comigo" a uma pessoa, ela contará com você.

É um hábito saudável ter desejos e trabalhar duro para realizá-los.

Era este o compromisso do apóstolo Paulo para realizar o seu desejo.
Ele queria completar sua tarefa como pregador do Evangelho, de quem queria ser co-participante, isto é, co-anunciador (1Coríntios 9.16 e 23).
Havia obstáculos, como a falta de dinheiro e a incompreensão dos próprios cristãos. Esses obstáculos, no entanto, não o fariam sentar-se, não o fariam calar-se, não fariam que desistisse.
Depois de anunciar seu objetivo, o apóstolo fala de seu método: "Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado" (1Coríntios 9.24-27).

Para reforçar seu pensamento, o escritor lança mão de um evento comum na cultura dos habitantes de Corínto, uma cidade localizada há 78 km de Atenas, capital da Grécia. Nesse país, com a atenção de todos, desde o século 8 antes de Cristo se realizavam de quatro em quatro anos os Jogos Olímpicos (revividos modernamente pelo barão de Coubertin, a partir de 1896). Naquela época, os vencedores recebiam uma coroa de folhas de oliveira. No intervalo destes jogos, um ano antes e um ano depois, de dois em dois anos, portanto, os coríntios promoviam os Jogos Ístimicos, uma prática que fora retomada recentemente, praticamente desde a época do nascimento de Jesus Cristo. Nesses jogos, os vencedores recebiam uma coroa de folhas de pinheiro. Hoje as recompensas são medalhas de ouro, prata e bronze.
Os coríntios tinham vivos na memória os seus heróis, vencedores das competições. Certamente entre os cerca de 150 a 200 cristãos de Corinto, ouvintes da carta, havia alguém que tinha assistido a uma edição desses jogos. Pode ser que houvesse atletas ou familiares de atletas entre eles. Falar destes jogos era como falar da Copa de Mundo de Futebol nos dias de hoje no Brasil. Era um grande evento, com concursos de música e oratória, corridas de cavalo e principalmente competições atléticas, como regatas, boxe, alterofilismo e corridas.
No ano 51 A.D., houve uma edição dos Jogos Ístmicos e Paulo estava na cidade. É possível que tenha assistido a alguma das competições, com interesse talvez pelo boxe e pelo atletismo, que ele parece referir em sua carta ("não corro como quem corre sem alvo e não luto como quem esmurra o ar" -- verso 26), escrita uns 12 anos depois.


3. A vida é uma corrida
Feito o contato com os leitores, o autor compara muito apropriadamente a vida, e a vida cristã em particular, a uma competição esportiva.

3.1. Na corrida da vida, inclusive na vida cristã, precisamos abandonar os hábitos que nos reprovam.
Saiba que a vida se assemelha a uma corrida.
Saiba que precisa correr para ganhar.
Ao longo da vida, vamos, portanto, desenvolvendo hábitos, uns bons e outros ruins, os quais vão se enraizando em nós, como se fossem irremovíveis.
Na vida, quem não desenvolve hábitos saudáveis acaba desqualificado. Paulo trabalhava para não ser desqualificado (verso 27). Nos jogos modernos há várias atitudes que desclassificam: na natação, não se pode "queimar" a largada ou tocar nas raias; no atletismo, não se pode queimar a largada e nem passar o bastão incorretamente; no futebol, é prejudicial ao time ser expulso ou ser vaidado por não jogar bem.
Se assistiu aos Jogos Ístimicos, Paulo deve ter visto atletas sendo desqualificados. Os atletas foram desqualificados porque não desenvolveram hábitos capazes de os levar à vitória. Os atletas que venceram desenvolveram bons hábitos, transformados em força e velocidade na competição.
Ele não queria ser desqualificado na vida cristã. Antes, queria ser aprovado como apóstolo, ser aprovado como ministro ou, para nos incluir a todos, ser aprovado como cristão.
Que hábitos temos desenvolvido para sermos vencedores?
(Rever a lista do início)

3.2. Na corrida da vida, inclusive na vida cristã, precisamos desenvolver hábitos saudáveis.
Nossos hábitos traduzem nossos desejos. Nossos desejos estão no coração; nossos hábitos estão no corpo, nos gestos, na vida.
Se desejo mais de Cristo, devo ter hábitos que correspondam a este desejo.
Para alcançar nossos alvos, precisamos de disciplina.
"Eu estou aqui para levar vocês a fazerem o que não querem para alcançarem o que sempre quiseram". (Tom Laundry)
Podemos mudar nossos hábitos.
E devemos mudar alguns deles.

Para ganhar, você precisa treinar aprender como são as regrfs aprender quem é Deus.
Para ganhar, você precisa correr com objetivo.
Para ganhar, você precisa ser disciplinado.

1Tm 6.12 Combati o bom combate.
2 Timóteo 2.5 Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras.

3.3. Na corrida da vida, precisamos mirar a coroa que dura para sempre.
Podemos viver sem objetivos, como se fosse a esmo. Podemos viver sem a perspectiva da eternidade. Podemos viver buscando o que perece.

Precisamos investir em exercícios espirituais
Hebreus 5.14 Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.
Atos 20.24 Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.

3.4. Na vida cristã, a corrida é necessária, mas o prêmio está garantido.
A corrida da vida cristã é a corrida pela vida eterna.
Um cristão quando é desqualificado não perda a salvação; perde a alegria da salvação; o poder da salvação.
Todos sabemos que a vida, incluída aí a vida cristã, é uma corrida.
Podemos nos acomodar.
Temos um inimigo: a graça.
A vida, já que Deus está conosco, é fácil.
A vida, já que somos salvos pela graça de Jesus, pode ser vivida de qualquer maneira.

Não corremos para obter. Corremos porque obtivemos.

Corremos para alcançar a vida eterna, porque já fomos alcançados para a a vida eterna.

Corramos como os vencedores correm. Eles correm para ganhar. Nós corremos porque já ganhamos.

Filipenses 2.14-16
Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavrad da vida. Assim, no dia de Cristo eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente.

O conselho do autor aos Hebreus nos deve estimular: "Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem desanimem" (Hebreus 12.1-3). Sim, pensemos bem naquele que suportou a oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não nos cansemos nem desanimemos.

2 Timóteo 4.8 Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.
Tiago 1.12 Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam.

Apocalipse 2.10,
10 Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. O Diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão
perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.

Fp 2.14 Premio
Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Romanos 12.14

Dar-te-ei a coroa da via

teste do apostolado,
não da fé.

Como o atleta corre?
querendo vencer
Não devemos correr como se já tivéssemos ganho.
Contra um cristianismo do "me dá".
Não corro como se não tivesse objetivos definidos e claros.
A luta espiritual vale mais que a corporal.
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