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A Trindade no Novo Testamento

 
 No Novo Testamento estão disponíveis dados trinitários explícitos. A averiguação das provas textuais neotestamentárias consiste em listar evidências da divindade do Filho, bem como da divindade e pessoalidade do Espírito Santo


Por Misael Nascimento

fonte:http://www.misael.nascimento.nom.br////


A divindade de Jesus Cristo
A divindade de Jesus Cristo é atestada de diversas formas:

  • Por sua identificação com o Deus Salvador do Velho Testamento (Sl 106.21; Is 43.3, 11, 47.4, 49.26; Os 13.4; Mt 1.21; Lc 1.47, 76-79, 2.11; Jo 4.42; At 4.12; Fp 3.20; 2Tm 1.10; Tt 1.4, 2.13; 2Pe 1.11, 2.20, 3.2 e 18 – BERKHOF, 2001, p. 82).
  • Pelos escritos apostólicos que confirmam a crença em Jesus Cristo como Deus (Jo 1.1-18, 20.28, 30-31; At 7.59; Rm 9.5, 10.9-13; Fp 2.5-6; Cl 1.15-17, 2.9; Hb 1.1-12; 1Pe 3.15; 1Jo 5.20).
  • Pelo fato de Jesus ser descrito como possuindo atributos divinos (STRONG, 2003, p. 460):
    • Vida (Jo 1.4, 14.6; Hb 7.16);
    • imutabilidade (Hb 13.8);
    • verdade (Jo 14.6; Ap 3.7);
    • santidade perfeita (Lc 1.35; Jo 6.69; Hb 7.26);
    • eternidade (Jo 1.1; Cf. Pv 8.23; Jo 8.58, 17.5; Cl 1.17; Hb 1.10-12; Ap 21.6; Cf. Ap 2.8);
    • onipresença (Mt 18.20, 28.20);
    • onisciência (Mt 9.4; Jo 16.30; 1Co 4.5; Cl 2.3);
    • soberania e onipotência, que implicam em criação e providência (Mt 28.18; Jo 1.3; Fp 2.9-10; Cf. Mc 5.6 e Lc 8.28; Cl 1.15-17; Hb 1.2-3; Ap 1.8; ) e, finalmente,
    • autoridade para ressuscitar mortos e julgar (Mt 25.31-32; Jo 5.27-29; Ap 19.11-16).
  • Para completar, além do próprio Jesus demonstrar possuir consciência de sua divindade, ele recebe adoração que é devida somente a Deus (Mt 8.2, 9.6; Cf. Is 43.25; Mt 9.18, 15.25; Mc 5.22, 33, 7.25; Lc 5.8, 17.16; Jo 5.17-18, 23, 14.14-15; Ap 5.8-14).

A divindade e pessoalidade do Espírito Santo
A divindade do Espírito Santo é atestada:

  • Por sua identificação, no Novo Testamento, com Yahweh, que habitava entre e nos corações do seu povo, no Velho Testamento (Sl 74.2, 135.21; Is 8.18, 57.15; Jl 3.17; Zc 2.10-11; Jo 14.16; At 2.1-4, 16-21; Rm 8.9, 11; 1Co 3.16; Gl 4.6; Ef 2.22; Tg 4.5 – BERKHOF, op. cit., loc. cit.).
  • Pela indicação de que pecar contra o Espírito é pecar contra Deus e mentir ao Espírito é mentir a Deus (Mc 3.29; At 5.3-4).

Sua pessoalidade é verificada:
  • Na sua comunicabilidade (At 8.29; Cf. Is 30.21-22; At 13.2);
  • na sua atuação como Parácleto ou Ajudador dos cristãos, confirmando-os em santidade, na adoção e auxiliando-os em suas orações (Jo 14.16, 25-26, 16.13-14; Rm 8.14-17, 26-27) e
  • no fato do Espírito possuir emoções, ou seja, poder ser entristecido (Ef 4.30).
Dentre as provas textuais existentes, destacam-se as fórmulas trinitárias do batismo, da bênção apostólica e da doxologia do Apocalipse (Mt 28.19; 2Co 13.13; Ap 1.4-5).
Escrituras, Trindade econômica e Trindade imanente
Os textos do Velho e Novo Testamentos, tomados conjuntamente, possibilitam a percepção de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo “são centros coiguais e coeternos de autoconsciência, sendo cada um um ‘Eu’ em relação aos outros dois, que são ‘vós’, e cada um possuindo a plena essência divina de Deus, a existência específica que pertence só a Deus” (BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA, 1999, p. 837).
Todas as informações trinitárias, porém, são dadas no contexto das relações mútuas do Pai, do Filho e do Espírito na história do reino de Deus (MOLTMANN, 2000, p. 107). Isso significa que a moderna distinção sugerida por Karl Rahner (McGRATH, 2005, p. 390-391), entre Trindade econômica e Trindade ontológica ou imanente, deve ser compreendida adequadamente.
A intenção é louvável: distinguir quem ou como Deus é (unidade de essência e diversidade, imanência, ontologia) e o que Deus faz ou como ele age na história da salvação (economia). A questão a ser levantada é se a Escritura fornece dados suficientes para o completo entendimento da Trindade em termos ontológicos. A esta tarefa lançaram-se as gerações que sucederam os apóstolos. Isso é assunto para o próximo artigo.
Referências Bibliográficas
BERKHOF, Louis. Teologia sistemática. 2ed. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. 720 p.
BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. 1728 p.
McGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: Uma introdução à teologia cristã. Trad. Marisa K. A. de Siqueira Lopes. São Paulo: Shedd Publicações, 2005. 659 p.
MOLTMANN, Jürgen. Trindade e reino de Deus: Uma contribuição para a teologia. Trad. Ivo Martinazzo. Petrópolis: Vozes, 2000. 224 p.
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia sistemática. Trad. Augusto Victorino. São Paulo: Hagnos, 2003. v. 1. 680 p.
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